A RESPEITO DA MATURAÇÃO DE PELES
Artigo publicado no boletim da
Achila em agosto de 1987.
O processo
de maturação de peles e a sua importância não são geralmente bem entendidos
pelos criadores em geral é, por essa razão, que achamos conveniente
tratar deste assunto, lembrando algumas noções fundamentais destinadas,
sobretudo, a orientar os verdadeiros criadores, isto é, aqueles que
já se convenceram de que o principal objetivo de uma criação de chinchilas
é a produção e a preparação de peles brutas.
Quando
uma chinchila nasce, seu corpo já vem coberto de pelos e a quantidade
de pelos por centímetro quadrado de epiderme depende unicamente das
qualidades genéticas que lhe foram transmitidas por seus pais. É o que
se chama “densidade hereditária”.
Sendo
um dado genético, a densidade, no início da vida do filhote, é invariável
e, só posteriormente, no decorrer dos meses e dos anos, poderá, eventualmente,
aumentar de acordo com as condições ambientais e alimentares, porem
de maneira infinitésima e somente perceptível após várias gerações de
animais submetidos às mesmas condições de criação.
Nas primeiras
semanas de vida, o corpinho do animal cresce muito mais rapidamente
do que quando se aproxima da idade adulta. Durante esse período de rápido
crescimento do corpo ocorre também o rápido crescimento do pelo. Crescendo
o corpo, aumenta a superfície da epiderme e, nessa fase, é bastante
evidente a densidade, valor genético constante que vai rapidamente cobrir
de pelos as novas áreas da epiderme. Se assim não fosse, os tufos de
pelos iniciais ficariam espalhados no corpo com espaços calvos entre
eles e a densidade diminuiria.
A partir
de certa idade, variável com os animais e com regime alimentar, o crescimento
do corpo torna-se mais lento, não havendo mais necessidade de se cobrir
tão depressa de pelos os novos espaços disponíveis de epiderme.
Daí para
frente, o crescimento dos pelos se processa por ciclos sucessivos de
3 ou 4 meses. No fim de cada ciclo há um período, por assim dizer, de
estagnação durante o qual param de crescer. Enquanto o animal não atingiu
a idade de, aproximadamente, 18 meses, o crescimento do corpo continua
e, durante o período compreendido entre o fim de uma maturação e o início
de outra, a densidade da pelagem diminui ligeiramente.
Antes
de iniciar um período de crescimento, a substância corrente das células,
chamadas de “pigmento”, concentra-se na epiderme, ou melhor, nos bulbos
pilosos. Trata-se de um processo fisiológico provocado por reflexo.
Esse pigmento passa nos folículos e se incorpora aos pelos enquanto
estão crescendo. Esse processo pode ser verificado quando, por uma razão
qualquer (fungo ou queda de pelo) se arranca os pelos de uma chinchila
no corpo inteiro. A epiderme, após ser arrancado o pelo, mostra-se branca
ou de cor rosa; alguns dias após, fica de cor azul e assim permanece
durante todo o processo de crescimento. Enquanto está em crescimento,
o pelo tira da epiderme, por intermédio do bulbo e do seu folículo,
o pigmento que lhe vai dar a cor escura. Quando termina o crescimento
e o pelo já colheu, da epiderme, todo o pigmento, a epiderme perde a
cor azulada e volta a ser branca ou cor de rosa.
No ponto
final da maturação, isto é, no fim exato de um ciclo de crescimento,
a pelagem se encontra na sua melhor condição fenotípica: a densidade
atinge o ponto máximo, todos os pelos tem o mesmo comprimento, a cor
azul, proveniente da pigmentação, passou para os pelos, a cor da base
e da ponta tem a sua maior intensidade, as pontas dos pelos, que formam
a cobertura de véu, tem uma aparência uniforme, as bandas de todos os
pelos coincidem entre si dando a pelagem aquele aspecto brilhante e
azulado, o que quer dizer que o animal atingiu o ponto de maior esplendor
florescente. É nesse momento exato que a chinchila, destinada a pele,
deve ser abatida.
Além
da cor da epiderme, há outros sinais fenotípicos que podem indicar quando
os pelos iniciaram um novo ciclo de crescimento. Os primeiros sinais
exteriores visíveis desse processo de crescimento são as linhas de crescimento
(maturação) que aparecem, geralmente, na garupa e nas ancas; elas se
parecem com falhas na igualdade da pelagem e são provocadas pelos novos
pelos que vão crescendo entre os antigos.
Soprando-se
onde há essas linhas de crescimento, forma-se um funil no fundo do qual
aparecem os novos pelos de alguns milímetros de comprimento bem visíveis
devido a sua banda, dando-nos a impressão de que existem dois funis
no mesmo lugar com beiras brancas, um pequeno encaixado dentro de um
maior.
A medida
que os novos pelos vão crescendo, desaparecem essas linhas de crescimento.
Aproximando-se o fim do crescimento, aparece um novo sinal: as desigualdades
na formação do véu. Soprando-se nos lugares onde há essas desigualdades,
aparecem novamente dois funis cercados por uma banda branca, mas, desta
vez, o menor é quase do mesmo tamanho que o maior.
Assim,
a maturação dos animais destinados para pele deve ser controlada de
duas maneiras: primeiro, olhando e procurando as linhas de crescimento,
sem necessidade de se tirar o animal da gaiola e, segundo, após o desaparecimento
dessas linhas, soprando-se na pelagem para ver se todos os pelos novos
atingiram o seu comprimento normal e se a epiderme está branca ou cor
de rosa. Essa segunda constatação dever ser semanal.
O processo
de maturação não é o mesmo para todos os animais, nem mesmo na mesma
criação. Geralmente, começa na garupa e termina na cabeça. Para outros,
porém, é o contrário: começa na cabeça e termina na garupa. Outros tem
uma maturação desordenada, uma vez que os pontos de início de crescimento
aparecem em vários locais diferentes do corpo ao mesmo tempo, tais como
na garupa, na cabeça, nos ombros, nos flancos. Esses animais, dificilmente
chegarão a uma maturação perfeita e o interior do couro apresentará
sempre pequenas manchas azuis disseminadas.
A diversificação
no processo de maturação de um animal para outro tem pouca importância
numa criação pequena pois o criador terá tempo para se dedicar a cada
caso particular, mas o mesmo não ocorre numa grande criação onde acarreta
grandes dificuldades que deverão ser resolvidas por medidas e métodos
apropriados.
Quanto
a idade para abate dos animais destinados a peles, as opiniões variam
de um criador para outro. Alguns preferem abate-los ainda jovens, entre
8 e 9 meses, quando ocorre a primeira maturação de adultos, sob a alegação
de que essa primeira maturação proporciona peles melhores com menor
custo alimentar. Outros escolhem a segunda maturação, entre 12 e 14
meses, alegando que as peles são maiores, com conseqüente maior lucro.
Daí, cada criador deve adotar a sua própria experiência.
Quando
um animal perde o pelo ao ser apanhado numa gaiola ou quando fica com
o pelo branco da barriga manchado pela urina, que se poderá fazer? Alguns
criadores, nesse caso, arrancam o pelo do corpo inteiro e esperam 3
ou 4 meses, findos os quais, o animal se encontrará novamente no ponto
exato de maturação. (na minha opinião [Adilson] este procedimento
não traz bons resultados por ser difícil de se arrancar todo o pelo
do animal e pelo sofrimento que causa ao mesmo. Tendo como hábito manter
as gaiolas limpas e dar banho regularmente aos seus animais manterá
a barriga branca. Há inclusive fornecedores de maravalha sem resina
que, apesar de bem mais caras, tem uma taxa de absorção maior e não
interferem na coloração do pelo do animal)
Quando
ocorre o fim de um ciclo de crescimento chamado “PRIME” pelos americanos,
a pelagem se encontra na sua melhor condição fenotípica, a densidade
está no seu ponto máximo, todos os pelos tem o mesmo comprimento, toda
a cor azul, proveniente do pigmento, passou para os pelos, as pontas
que formam a cobertura do véu tem aparência uniforme, as bandas de todos
os pelos coincidem entre si e tudo dá a pelagem um aspecto brilhante
o que quer dizer que o animal está no seu ponto de explendor florescente.
Esse ó o momento ideal para o abate do animal.
Uma boa
maturação é necessária tanto porque a pelagem atinge o melhor aspecto
como porque o couro de uma pele madura é mais resistente e apresenta
menos riscos de ser rasgada ou de perder pelo durante o processo de
curtição. Além disso, é mais apreciada pelo peleteiro uma vez que sua
resistência permite pontos de costura mais fortes e para o criador os
preços pagos pelas peles extraídas no ponto exato da maturação são mais
altos e o que todos querem é vender suas peles pelo melhor preço possível.