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CAPÍTULO XI
DESPESAS E RECEITAS Acreditamos ter descrito de uma maneira clara todo o rol de ítens necessários para a instalação de uma criação de chinchilas, bem como, a remuneração de seu produto principal - a pele. Existe a possibilidade de venda de animais - reprodutores e matrizes - que por certo darão uma excelente renda ao criador, porém, que só deve ser encarada como uma eventualidade. Consideramos, portanto, como única receita a venda de peles.
Torna-se mais difícil efetuar um estudo em cima de uma criação que está em crescimento, uma vez que o criador terá que continuamente investir em novas gaiolas e reduzir o número de abates e conseqüentemente a quantidade de peles para a venda em face do aproveitamento de crias para matrizes e reprodutores.
Por esta razão nosso trabalho é desenvolvido sobre um plantel já estabilizado e poderia ser efetuado com base em qualquer número de matrizes. Optamos, no entanto, por um plantel composto de 480 matrizes que consideramos como ser um criatório de tamanho médio.
Iniciamos pela descrição dos gastos, ou seja, investimentos (instalações, gaiolas e animais) e despesas de manutenção.
Como ainda não nos desprendemos da cultura inflacionária e como os preços das peles são sempre cotados em dólar, adotamos esta moeda em todos os nossos cálculos, utilizando a taxa de R$1,85. Atualizações poderão ser feitas utilizando a taxa cambial do dia.
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Embora para efeito de Imposto de Renda - Pessoa Física (Cédula Rural) os gastos de investimento possam ser totalmente deduzidos no próprio exercício em curso, achamos melhor diluí-los por longos períodos de acordo com as normas fiscais e contábeis utilizadas em outras atividades. Consideramos, então, uma depreciação anual de 4% para construções e de 10% para equipamentos para o rateio dos investimentos.
Nosso plantel hipotético de 480 matrizes, conforme poderá ser observado na Tabela I e IV do Capítulo IX, estará em sua totalidade assim constituído:
T o t a l ............ 1640 animais
* não necessitam de gaiola própria
Galpão
Para este plantel estima-se uma necessidade de 1400/1500 gaiolas que poderiam ser abrigadas num galpão de 180 metros quadrados.
Desta forma podemos considerar:
Equipamentos incorporados ao imóvel
T o t a l US$ 3.000,00
Gaiolas
No custo de cada gaiola incluímos as despesas com o estrado sobre o qual são empilhadas e os custos de mangueiras, bebedouros e colares para as fêmeas em reprodução. Os investimentos em gaiolas importariam em:
Não existe a necessidade de aquisição imediata de todas as gaiolas, uma vez que elas somente serão utilizadas na medida em que o plantel for evoluindo.
Matrizes O preço de uma família (1 macho e 6 fêmeas) está variando no mercado entre US$2,000,00 e US$3.500,00. Consideramos o investimento inicial de US$ 2.500,00, entendendo-se que a criação iniciou com uma família apenas. Poderá ocorrer a necessidade de compra de eventual reprodutor e que o criador adquira mais algumas matrizes durante os primeiros anos de atividade, a fim de acelerar o crescimento de seu plantel. Se os animais do criatório forem de boa qualidade poderá ser feita a troca com outro criador, diminuíndo-se assim os gastos neste item. Para efeito de cálculo atribuímos o valor de US$8.000,00 de investimento nesta rúbrica.
O investimento total importaria, portanto, em US$ 47.200,00.
Entre as despesas de manutenção temos as de natureza fixa e as de natureza variável. Nossos cálculos todos se desenvolvem em cima do custo de um animal / mês.
Despesas Variáveis -
Em higiene teríamos um gasto mensal de US$ 0,140por animal.
Teríamos, então, uma despesa variável mensal de US$ 0,693 por animal.
Despesas Fixas
Chegamos assim a um gasto fixo mensal de US$ 335,00.
Total das Despesas Anuais
Vamos agora calcular o montante das despesas anuais de nossa criação hipotética não nos esquecendo, porém, de adicionar um valor para gastos eventuais:
Total Anual US$ 21.702,24
Custo de uma pele
Teoricamente podemos produzir com este plantel uma média mensal de 120 peles que representaria durante o período de um ano 1440 peles para comercialização. Teríamos, ainda, que considerar a substituição de matrizes e reprodutores a que destinamos 84 animais (15% de 560). Dificilmente as peles dos animais substituídos teriam valor comercial. Assim ficaríamos com uma produção anual de 1356 (1440 – 84) peles a um custo unitário de US$ 16.005. A este custo deve-se acrescentar ainda as despesas de curtume. Existem criadores que levam em consideração somente os valores correspondentes a custos fixos e variáveis para efeito de cálculo do preço da pele. Teríamos neste caso, então: (13,638.24 + 4,020.00) : 1356 = US$ 13.023. “Vendedores” de matrizes para facilitar suas “operações” fazem cálculos mais “simplistas”, multiplicando o número médio de meses para a chinchila chegar a ponto de abate pelo somatório dos custos variáveis mais custos fixos (total/número de animais): 9 x (0.693 + 0.205) = US$ 8.082
É preciso ter muito cuidado! Somos favoráveis que se use o primeiro valor (US$ 16.005) como base de cálculo para se chegar a um resultado mais realista.
Há de se considerar, ainda, que estes custos poderão ter pequenas variações de uma região para outra e que dependem muito do índice de fertilidade de cada plantel, sendo inversamente proporcional a este índice.
Como já falamos anteriormente a receita básica de um criador de chinchilas é proveniente da venda de peles.
O preço da boa pele pode variar de US$ 35.00 a US$ 100.00. Tudo depende de dois fatores básicos: a qualidade do rebanho e o manejo adequado. A combinação correta destes dois fatores fará com que o criador determine o preço de suas vendas.
Antes de vender as peles é necessário que o criador as envie para curtume. Como o valor aqui despendido, geralmente, é abatido na fatura de venda não o consideramos como gasto. Fica mais fácil deduzi-lo da receita, bem como, outras despesas que por ventura vierem a ocorrer. Passamos, desta forma, a considerar como receita o valor líquido de venda.
Criadores de nível médio, entre os quais já podemos enquadrar alguns de Santa Catarina, tem conseguido um valor médio líquido em torno de US$ 30.00 o que lhes garante um lucro de US$ 13.995 por pele produzida. Podemos considerar, portanto, que este plantel de 480 matrizes nos propicie um faturamento anual de US$ 40,680.00 (1356 peles x US$ 30.00) alcançando um lucro líquido de US$ 18,977.76 (40,680.00 – 21,702.24).
Caso o empreendedor não consiga uma média líquida superior a US$ 16.005 estará trabalhando no vermelho. Há criadores, no entanto, que tem atingido uma média próxima dos US$ 40.00, o que lhes garante um retorno superior a 100% sobre o investimento.
Temos ciência de que no exterior há criadores que já atingiram a média de US$ 60.00 por pele. Como a criação no Brasil ainda está numa fase inicial, resta-nos a expectativa de elevar nossa média paulatinamente até alcançarmos a de outros países mais avançados na exploração desta atividade.
Desta forma, o lucro anual de nossa criação poderia ser de US$ 18,977.76 ou US$ 32,537.76 ou US$ 59,657.76 , dependendo da média de venda alcançada - 30, 40 ou 60 dólares.
Percorrendo os dois caminhos - melhoramento genético e aprimoramento do manejo - podemos buscar paulatinamente a redução de custos para obter um maior rendimento. Última atualização: 01 setembro 2001 |