O
AMBIENTE DE CRIAÇÃO DA CHINCHILA
(TEMPERATURA, UMIDADE E VENTILAÇÃO)
Autor: Eng° Wilson de
Moraes
INTRODUÇÃO
A
criação da Chinchila exige do criador a aplicação de técnicas específicas
e corretas de criação, sem as quais, dificilmente se conseguirá êxito
no negócio.
O
controle da temperatura, umidade e ventilação do local de criação, independente
dos objetivos do criador constitui-se em um procedimento técnico indispensável
ao dia da criação, entretanto tem-se constatado que alguns criadores
não o fazem e que muitos o fazem de forma tecnicamente incorreta.
Há
conhecimento de criadores, que, devido à alta temperatura em seu criadouro,
perderam inúmeras matrizes e reprodutores de seu plantel base, acarretando
a necessidade de reposição dos mesmos.
Cabe ressaltar aos criadores que a
Chinchila é originária da região dos Andes, ou seja, altitude elevada
(3500 a 4000 m), e portanto de baixa temperatura, baixa umidade e constantemente
bem arejada, ao passo que no Brasil, país predominantemente de baixa
altitude e de clima tropical, temos com freqüência condições opostas
às presentes em seu ambiente de origem.
Salienta-se
que as excelentes características do pêlo do animal, reconhecidas no
mundo inteiro, são exatamente conseqüências das características climáticas
do seu habitat natural.
A diferença das condições climáticas acima expostas somadas às importantes
colocações feitas pelo juiz e palestrante Jim Ritterspach, durante a
111 EXPOSUL, são motivos mais do que suficientes para concluirmos que
se faz necessário um controle efetivo e tecnicamente correto sobre as
condições ambientais de nossos criadouros.
EFEITOS DE UM AMBIENTE NÃO CONTROLADO
O ambiente de criação, no qual o controle de temperatura
não é feito, ou então é feito de modo incorreto, poderá produzir os
seguintes efeitos sobre a criação, podendo os mesmos ocorrerem isoladamente
ou associados entre si:
• comprometimento da saúde do animal.
• redução da atividade, com conseqüente redução na reprodução.
• stress do animal.
• proliferação de fungos, o que é extremamente prejudicial
ao animal, bem como ao estado de conservação dos alimentos.
• alta concentração de vapor de urina (amônia) no ar
do local acarretando o amarelamento da barriga e fiancos, bem como favorecendo
o aparecimento de ferrugem nas gaiolas, uma vez que a amônia é corrosiva.
• absorção de vapor de urina pelos alimentos, principalmente
pela alfafa que absorve com facilidade a umidade do ar.
• temperatura alta implica no aumento do metabolismo
do animal, e como a Chinchila não possui superfície corporal favorável
à transpiração em função das características da pelagem, ocorrerá um
maior dispêndio de energia para que a mesma consiga manter a temperatura
de seu corpo, e caso isso não ocorra surgirão alterações progressivas
no metabolismo, podendo em casos extremos levá-la à morte.
COMO OBTER
UM AMBIENTE TECNICAMENTE ADEQUADO

(0)
Estabeleça um layout das gaiolas, procurando setorizar o ambiente de
modo a se ter uma área destinada à reprodução e outra aos animais para
pele, considerando que os manejos são diferenciados, bem como possibilitando
o estabelecimento de um sentido correto do fluxo do ar através do ambiente.
(1)
Não utilize telhas metálicas simples, pois as mesmas deixarão que seja
introduzida grande quantidade de calor ao ambiente. Deverão ser consideradas
no mínimo telhas de fibrocimento.
(2)
As paredes poderão ser em blocos de concreto, blocos cerâmicos ou em
tijolo comum, sendo este último o mais recomendado para regiões de climas
tipicamente quentes.
(3)
O forro deve ser construído com material isolante térmico, podendo ser
utilizadas placas de isopor (poliestireno expandido) ou de lã de vidro,
sendo a espessura função do tipo de telhas e das condições climáticas
da região de criação.
(4)
As paredes que recebem incidência de sol, de um modo geral devem ser
isoladas termicamente, sendo a espessura função do material das paredes
e das condições da região da criação. O material a ser utilizado poderá
ser o mesmo do forro. Em regiões de clima quente recomenda-se isolar
todas as paredes.
(5)
O ambiente deverá ser provido de janelas do tipo basculante, localizadas
de forma simetricamente opostas e acima do nível das gaiolas, tendo
como função principal a iluminação natural do local.
(6)
Impermeabilize as paredes externas em toda a periferia até uma altura
aproximada de 1,2m evitando que respingos de chuva possam umidecer as
paredes causando danos ao isolamento térmico.
(7)
O piso deve ter acabamento liso, como por exemplo, cimento alisado de
modo a facilitar a limpeza do mesmo. Se o solo for constantemente úmido,
impermeabilize o piso ou faça-o elevado do solo deixando aberturas para
ventilação do espaço entre o solo e o piso, evitando-se desta forma
a propagação de umidade do solo para o piso e deste para o ambiente.
(8)
Faça calçada em toda a periferia com caimento oposto às paredes, evitando-se
umidade periférica das paredes e piso em épocas de chuva.
(9)
A pintura externa deve ser de cor clara preferencialmente branca, pois
a cor clara reflete com maior intensidade os raios solares.
(10)
A altura recomendada é de 3,0m, a fim de que haja espaço acima do nível
das gaiolas para instalação dos equipamentos necessários ao controle
da temperatura e umidade.
(11)
Proteção do isolamento térmico, a uma altura aproximada de 20cm.
VENTILAÇÃO / AR CONDICIONADO / DESUMIDIFICAÇÃO
(TE)
Temperatura Externa ao ambiente, variável conforme a região e a época
do ano, com influência direta sobre a temperatura interna do ambiente.
(URE)
Umidade Relativa Externa: variável conforme a região e a época do ano,
com influência direta sobre a umidade interna do ambiente.
(TI)
Temperatura Interna: deverá ser mantida na faixa compreendida entre
o mínimo de 18°C e o máximo de 25°C, sendo recomendado 22°C. Deve ser
considerado que temperatura acima de 25°C será sempre crítica, ao passo
que temperatura abaixo de 18°C poderá ser crítica em épocas de nascimentos.
(URI)
Umidade Relativa Interna: deverá ser mantida na faixa compreendida entre
o mínimo de 30% e o máximo de 60%, sendo recomendado 50%. Deve ser considerado
que umidade acima de 60% será sempre crítica, ao passo que umidade abaixo
de 40% pode ser admitida em determinadas épocas do ano, principalmente
quando houver necessidade de se aquecer o ambiente.
(12)
Ventilar naturalmente o espaço entre o telhado e o forro, através de
aberturas localizadas simetricamente opostas e providas de tela metálica
a fim de se evitar a entrada de pequenos animais. A não adoção desta
medida poderá acarretar temperaturas de 60°C no local, implicando na
necessidade de maior espessura do material isolante térmico do forro.
(13)
Aberturas com função de admitir ar novo do exterior ou descarregar o
ar viciado (ar com concentração de vapor de urina) para fora do ambiente.
As dimensões serão função do número de renovações de ar por hora necessárias
ao ambiente, sendo que as respectivas localizações dependerão das posições
dos ventiladores, ar condicionado e desumidificadores, bem como do sentido
do fluxo de ar que se queira estabelecer no ambiente. Se considerarmos
a bateria de gaiolas "A" do esquema ilustrativo como sendo
de animais de reprodução, e a bateria "B" destinadas a animais
para pele, o sentido correto do fluxo de ar será de "B" para
"A" garantindo-se desta forma que o ar novo isento de vapor
de urina passe primeiro pelos animais destinados à produção de pele.
A velocidade do ar que passa através dos animais deve ser baixa.
(14)
Ventiladores deverão ser necessariamente instalados a fim de se garantir
a renovação de ar do ambiente e consequentemente baixas concentrações
de vapor de urina. Deverão ser instalados no mínimo 2 ventiladores sendo
que um terá a função de promover um número mínimo de renovações de ar
por hora (vazão de ar menor) no ambiente operando simultaneamente ou
com o ar condicionado, ou com o desumidificador, ficando o outro destinado
a promover o número normal de renovações de ar por hora (vazão de ar
maior) sem simultaneidade de operação com outros equipamentos uma vez
que só deverá operar quando as condições externas de temperatura e umidade
forem favoráveis.
(15)
Indicador de temperatura: necessário ao controle da temperatura do ambiente.
(16)
Indicador de umidade: necessário ao controle da umidade do ambiente.
(17)
Equipamentos de ar condicionado devem ser instalados visando o controle
de temperatura do ambiente, Durante as épocas mais quentes promoverão
a refrigeração e desumidificação, ao passo que no caso de baixa temperatura
e alta umidade, mesmo que se ligue o condicionador, o seu termostato
interno sentindo a baixa temperatura desligará o equipamento e não se
obterá a desumidificação do ar, sendo nesta condição necessário utilizar
desumidificadores de ar.
(18)
Desumidificadores de ar devem ser instalados visando o controle da umidade.
Deverão operar principalrnente quando a temperatura estiver sob controle
mas a umidade estiver alta
AVALIANDO
O SEU AMBIENTE
Face
a indispensável necessidade de dotarmos nossos criadouros de um sistema
de controle de temperatura, umidade e ventilação tecnicamente correto,
entendemos que a forma mais objetiva de fornecer aos criadores em geral,
os elementos básicos para que os mesmos possam avaliar este aspecto
de seu criadouro, e tomar as providências cabíveis, é justamente através
do conhecimento dos procedimentos que tem sido adotados pela maioria
dos criadores e que efetivamente constituem-se em procedimentos técnicos
incorretos.
Desta
forma relacionamos os procedimentos incorretos como segue:
•
Desconsiderar
os aspectos técnicos construtivos indicados no esquema ilustrativo,
sem levar em consideração as condições climáticas da região onde está
localizada sua criação, obtendo assim maiores valores de temperatura
e de umidade dentro do criadouro, tendo como conseqüência a necessidade
de equipamentos de ar condicionado e desumidificadores com maior capacidade,
e que também deverão operar com maior freqüência, implicando em maior
consumo de energia elétrica, ou seja maior custo da criação.
•
Não dispor em sua criação de qualquer equipamento destinado ao
controle das condições ambientais, baseando-se em informações de que
a Chinchila adapta-se com facilidade ao meio ambiente, procedendo de
forma incompatível com os próprios objetivos de sua criação.
•
Aquisição
de equipamentos de ar condicionado, desumidificadores de ar e ventiladores,
nas quantidades e capacidades incompatíveis com as reais necessidades
do ambiente, ou até mesmo equipamentos desnecessários. Este tipo de
erro ocorre com freqüência, pois tratando-se de um aspecto específico
e eminentemente técnico, a maioria dos criadores, assim como vendedores
de lojas do ramo, o que é perfeitamente natural, não possuem os elementos
técnicos que possibilite determinar as caraterísticas técnicas dos equipamentos
de acordo com as reais necessidades de seu criadouro.
•
Instalação
dos equipamentos em posições inadequadas, podendo ter como conseqüência:
-
distribuição de ar ineficiente, podendo ocorrer regiões do ambiente
em que o ar fique estagnado, ou seja, parado.
-
incidência direta
de ar sobre os animais.
-
comprometimento na operação e/ ou eficiência de um dado equipamento
por influência de outro comprometendo o controle das condições do ambiente.
-
sentido de fluxo de ar incorreto.
-
temperatura e umidade variáveis em locais distintos do ambiente.
-
criar o máximo de janelas possíveis, achando que as mesmas, por si só,
promoverão uma boa ventilação. Este procedimento somente terá efeito
nos dias em que houver vento, e mesmo assim, dependerá da posição das
janelas em relação à direção e a velocidade do vento. Não havendo vento
não ocorrerá a ventilação do ambiente.
-
instalar um ventilador dentro do ambiente, achando que assim estará
dispondo de uma boa ventilação, sendo que na verdade o que ocorre é
simplesmente uma movimentação do ar dentro do local, não proporcionando
o que é mais importante, ou seja a renovação constante do ar.
-
instalar somente ventilador, ligando-o nos dias mais quentes, achando
que a ventilação irá baixar a temperatura. Se a temperatura interna
está alta é porque a temperatura externa, muito provavelmente estará
mais alta ainda, logo o ar que entra no ambiente estando à temperatura
do ar externo, provocará um aumento de temperatura no ambiente.
Este
raciocínio é válido também no caso de se querer ventilar o ambiente
através de abertura de janelas.
-
permitir incidência de sol nas janelas
-
instalar indicadores de temperatura e umidade em posição sujeita à influência
de fatores diversos, provocando uma leitura que não represente a realidade
do ambiente, fazendo com que o criador opere com seus equipamentos de
forma indevida.
-
achar que desumidificadores de ar também refrigeram o ambiente, quando
na verdade, embora de modo não significativo, produzem um certo aumento
na temperatura.
-
considerar que equipamentos de ar condicionado do tipo para instalação
em janela ou parede, também renovam o ar do ambiente sendo que na realidade
apenas recirculam o mesmo ar.
-
operar com equipamentos de ar condicionado e desumidificadores com janelas
e/ou portas abertas.
- confundir temperatura e umidade
suportada pela Chinchila, com temperatura e umidade necessária para
que uma criação seja tecnicamente bem conduzida e em função disto, nada
fazer no sentido de se ter o controle destas duas variáveis.
-
instalar equipamentos em seu criadouro tomando por base o que se viu
em uma outra criação, sem ter a certeza de que o que se viu é tecnicamente
correto, não levando em consideração o fato de que as necessidades de
cada criação são variáveis, e inclusive dependem das características
construtivas do ambiente (dimensões, isolamento térmico, materiais de
construção, região da criação, etc).
-
instalar qualquer tipo de ar condicionado, ventilador e desumidificador
imaginando que assim procedendo estará provendo a sua criação das condições
ambientais adequadas. Salienta-se que se isto fosse correto não haveria
no mercado vários modelos (capacidades) de um mesmo tipo de equipamento,
sendo que a variação existente visa justamente possibilitar que o usuário
adquira o modelo que atenda as suas necessidades. A capacidade de cada
equipamento deve ser calculada de acordo com as necessidades do seu
criadouro, bem como considerando que o ar condicionado e o desumidificador
deverão operar em conjunto com o ventilador destinado à renovação de
ar mínima, cuja vazão de ar terá influência direta na capacidade dos
outros dois equipamentos. Justamente em função desta influência é que
se faz necessário um ventilador de menor vazão de ar.
-
dutar ou canalizar a descarga de ar condicionado do tipo de janela,
o que compromete a eficiência do equipamento uma vez que os mesmos não
são projetados para essa finalidade. Este aspecto pode ser evitado se
os equipamentos forem instalados em posição correta.
-
desconsiderar as hipóteses de falta de energia por tempo prolongado,
ou pane no equipamento de ar condicionado, principalmente nas épocas
de maior temperatura ou então se o criadouro estiver localizado em região
normalmente quente, o que poderá provocar a morte de animais. O criador
poderá considerar estas hipóteses excesso de zelo, entretanto posso
afirmar que um dos criadores presentes na III EXPOSUL, perdeu vários
animais justamente pelos motivos acima expostos. Este fato reforça a
necessidade de se isolar termicamente o ambiente, bem como de se utilizar
no mínimo dois equipamentos de ar condicionado uma vez que a probabilidade
de falha simultânea será menor.
-
instalar um ventilador qualquer de modo a se introduzir ar novo no ambiente,
sem considerar que a quantidade de ar necessária ao ventilador (vazão
de ar) é função da quantidade de renovações de ar por hora necessária
ao seu criadouro bem como das dimensões do mesmo, desconsiderando o
aspecto técnico descrito no item (14) do esquema ilustrativo.
CONCLUSÃO
Como
criador de Chinchila, estou convencido de que nós criadores só teremos reais condições de obter sucesso em nosso negócio,
se conduzirmos nossas criações de modo profissional, ou seja, utilizando-se
de técnicas corretas de criação, sendo uma delas o controle correto
das condições do ambiente. Os criadores americanos assim procedem e
por isso conduzem animais e peles superiores ao que se produz no Brasil.
Se
aqui também dispomos dos conhecimentos técnicos e dos mesmos equipamentos
necessários à obtenção de um sistema
de controle correto, então porque não fazê-lo. Cabe a nós, criadores,
fazer parte da solução, e não ser o principal problema da criação.
Espero
que, através das realidades técnicas apresentadas neste trabalho, possa
ter contribuído de modo positivo com os colegas criadores, pondo fim
às dúvidas e especulações existentes sobre o assunto, ressaltando que
as técnicas existem para serem utilizadas, e que, se não as utilizarmos
estaremos enganando a nos mesmos, pois em nenhum país do mundo se produz
qualidade sem uso da técnica.
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Última atualização:
03
maio 2002