PERDAS
NO ABATE
O
texto a seguir integra o artigo "Perdas no Abate", de autoria
de Rogério Gutierrez Oliveira e foi publicado no boletim informativo
da Asbrachila - outubro,
novembro e dezembro de 2000. Agradecemos a sua compreensão caso
encontre algum erro e agradeceríamos se nos informassem para que possamos
corrigi-los.
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Na venda de peles
do último dia 10 de dezembro, ficou evidente que os erros de manejo
tem influência direta na diminuição da cotação das peles produzidas
aqui no Brasil.
O número de peles com perda de pêlos (clapas)
é impressionante, assim como o de defeitos de estaqueamento ou
cortes errados na hora do abate.
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Todos
sabemos o quanto é difícil a produção de animais geneticamente superiores
e também o grau de aprendizado necessário para abatermos os animais
na fase certa de maturação. Portanto, é difícil de aceitar que os nossos
criadores percam tanto na avaliação das peles por problemas relacionados
com a última etapa, que é a esfola.
A
esfola vai desde a captura do animal de dentro da gaiola, até o estaqueamento
da sua pele. O primeiro passo, seria o de pegar o animal com o maior
cuidado possível, evitando assim o stress e a consequente perda de tufos.
Para isto, o criador deve retirar ou baixar o banho nesta hora. Depois,
ao praticar o desnucamento, deve-se ter atenção para não pegarmos o
animal pelo pescoço, e sim pela cabeça. No momento do abate é fundamental
que tenhamos ângulo entre a mão que está segurando a cauda do animal,
e, a que segura a cabeça do mesmo. Durante o processo de esfola propriamente
dito, alguns dados não podem ser negligenciados, tais como:
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O
corte inicial na barriga deve ser feito exatamente no meio da pele,
para que não tenhamos mais branco de um lado do que do outro;
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A
base onde vai ser feita a esfola deve ser lisa e não pode ter pedaços
de gordura do abate anterior (produz clapas );
-
A
abertura lateral da pele não pode ser feita com compressão excessiva
nas bordas, pois isto também produz clapas;
-
O
criador não deve pressionar demais na retirada da gordura com a
colher ou faca, principalmente na parte inferior onde o matambre
é mais aderido;
-
A
gordura, com cuidado, deve ser retirada, pois a sua permanência
pode estar relacionada com um couro mais duro (menor cotação) e
também com a presença de clapas;
-
O
estaqueamento, se for feito com alfinetes, deve ser no sentido do
comprimento, e não da largura. São colocados dois alfinetes na cabeça
e oito na parte final da pele. Não deve-se colocar alfinetes nas
laterais da pele em momento algum;
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O
período de secagem não pode ser mais de três dias, tendo como média
dois ;
-
Após
a retirada do estaqueamento a pele deve ser colocada no freezer,
e somente retirada no momento de enviá-la para o curtume (nunca
ultilizar material plástico para o armazenamento).
Todos sabemos
que os criadores que estão abatendo os seus primeiros animais podem
ter dificuldades na hora da esfola, porém a grande quantidade de problemas
nesta última venda nos trás algumas conclusões: primeiro, fica evidente,
inclusive na cotação das peles, que aqueles criadores que são assistidos
tecnicamente, tem um número de erros e defeitos muito inferior na hora
do abate do que os que não o são.
Os criadores
que estão ligados as associações realmente representativas do brasil
também levam vantagens neste aspecto.
Outro
ítem, seria a necessidade dos criadores novos procurarem se aperfeiçoar
no abate e, que alguns criadores mais experientes façam uma auto-crítica
no sentido de buscarem estar sempre se aperfeiçoando na busca de uma
técnica melhor, lembrando sempre que este é um trabalho artezanal, portanto
exige atenção permanente.
Espero
que todos tomem consciência deste problema e, procurem o mais rápido
possível solucioná-lo.
Rogério Gutierrez
Oliveira
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Última atualização:
03 maio 2002